O mês das crianças já está no finalzinho mas sempre é tempo de refletir sobre o tema. Ando cada vez mais assustada com o comportamento delas no supermercado. Moro em cima de um e vejo, quase todo dia, os pequenos dando birra para os pais comprarem produtos processados e ultraprocessados que nem deveriam ser considerados alimentos.
E o pior: eles estão, literalmente, ganhando no grito. Não sei você, mas eu sou de uma época na qual a gente tinha que negociar com a mãe as guloseimas que ganharíamos na tão esperada “compra do mês”.
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| No Prado, em Belo Horizonte, com minha amada "dona Ana". |
Não tinha essa de chegar no “Pão de Açúcar Jumbo” e sair pegando tudo que víamos pela frente.
A dona Ana era brava (e continua sendo) e também não tinha grana para levar todos os lanches coloridos da prateleira.
Era uma bandeja de Danoninho, um chocolate pra cada uma e olhe lá. E aquilo tinha que durar os próximos trinta dias. Se comêssemos tudo de uma vez, só no próximo salário da mamãe.
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| O Danoninho entrava na brincadeira e era bom demais! |
Lembro bem que, naquela época, doces, balas e afins já eram símbolos de status. E criança também já dava show nos corredores dos hipermercados. Mas hoje a situação está muito pior.
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| Vendedoras da Nestlé em Fortaleza, no Ceará. Foto: William Daniels / New York Times. |
As multinacionais do ramo alimentício, que estão perdendo consumidores nos países mais ricos por conta da crescente disseminação de notícias relacionadas à importância da alimentação saudável, optaram por entregar “junk food” e bebidas açucaradas nos rincões mais isolados da América Latina, África e parte da Ásia.
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| Embalagens coloridas acabam atraindo a atenção das crianças. Foto: CriancasDoces2012.blogspot.com |
O problema é que criança gordinha está longe de ser criança saudável.
Ao contrário do que imagina a coletividade, o quadro de desnutrição no país não se alterou. Só ganhou uma aparência “menos chocante”.
De crianças raquíticas, visivelmente famintas, temos agora meninos e meninas rechonchudos e, arrisco dizer, até mais doentes. Isso porque, de acordo com os especialistas,
diabetes e
doenças do coração, que estão diretamente relacionadas à obesidade, também atingem crianças e jovens.
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