A espécie possui, ainda, onze vezes mais compostos de combate aos radicais livres que o branco integral. Esses antioxidantes são os responsáveis por retardar o envelhecimento precoce e aumentar a imunidade do corpo.
Tanto que, no livro "
Arroz, Variedades e Receitas" (Ed. Senac), a pesquisadora Renata Lucia Bottini, ao relatar a origem desse alimento, explicita o fato de que os antigos acreditavam na ideia de que o grão concedia longevidade a quem o comesse, além de propriedades afrodisíacas.
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| Arroz negro na panela é sinônimo de saúde... |
Segundo dados do site do principal produtor brasileiro desse insumo, a
Ruzene, o arroz negro (ou nero, como é conhecido na Itália), começou a ser cultivado pelos chineses há mais de quatro mil anos, sendo destinado, apenas, à alimentação do imperador.
De lá pra cá, muita coisa mudou. Deixou de ser raro, mas não menos cobiçado, ganhando cada vez mais mercado e espaço de cultivo. Aqui no Brasil, há tempos, caiu nas graças do grande
Chef Alex Atala.
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| O arroz negro que uso aqui em casa é o da marca Ruzene. |
Qualidade que também pode ser testada (e no meu caso aprovada) por nós, pobres mortais. Aliás, pra falar a verdade, só vi até hoje arroz negro nacional de duas marcas à venda:
Ruzene e
La Pastina. Mas aqui pra casa eu sempre comprei o da
Ruzene porque acho a embalagem dele mais prática.
Por falar nisso, em se tratando de arroz negro, essa é a única praticidade que você vai encontrar ao trabalhar com o produto. Tá, eu sei: é lindo, deixa suas preparações ainda mais belas, vai muito bem com frutos do mar, peixes e cogumelos.
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| Arroz negro vai muito bem com cogumelo, principalmente o shitake! Adoro!!! |
Também, por conta do sabor marcante do grão, harmoniza perfeitamente com vinhos mais fortes, como os produzidos a partir das uvas Malbec e Merlot.
Mas, como não existe almoço grátis, o arroz negro tem um grande desvantagem (por ser integral): leva quatro vezes mais tempo pra cozinhar que o arroz próprio para risoto (leia-se Carnaroli, Arborio ou Vialone Nano).
Significa dizer que, enquanto o branco leva, em média, 15 minutos para ficar "al dente", precisamos de, pelo menos 50 minutos (normalmente dura uma hora), para cozinharmos o arroz negro.
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| Para não se enrolar, fique atento: o arroz negro demora 4 vezes mais para chegar no ponto que o arroz branco de risoto. |
O que não é problema algum se você puder prepará-lo com antecedência. Só não dá pra chegar às 3 da tarde (verde de fome) e começar do zero um risoto com ele. A não ser que a ideia seja saboreá-lo no jantar. Caso contrário, opte pelo branco mesmo, ok?
Ou faça o dever de casa no dia anterior. A dica dos Chefs (essa eu peguei do Atala) é deixá-lo de molho na véspera da preparação (ou, pelo menos, 4 horas antes) ou, ainda, fazer o pré-cozimento do grão usando a panela de pressão.
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| Deixar o arroz negro de molho pode ser a solução! Dica do grande mestre Alex Atala. |
Detalhe importante: você vai perceber que, ao deixá-lo de molho, água da bacia vai ficando avermelhada e, posteriormente, quase preta. Não jogue esse líquido fora, tá? Use-o no cozimento do risoto. Vai dar um colorido especial ao prato.
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| Lindo, né? E o melhor: a receita é super fácil! |
Explicações dadas, vamos ao que interessa! Para fazer o risoto, que serve bem duas pessoas, você vai precisar de:
- INGREDIENTES:
. 2 medidas de arroz negro
. 300 gramas de cogumelo shitake
. 250 gramas de vagem
. 1 pitada de sal
. 600 ml de água (usada para deixar o arroz de molho)
. azeite para "puxar" o arroz (pode ser manteiga... Margarina nunca, tá?)
. 150 ml de vinho tinto seco (opcional)
. 1 pitada (15 gramas) de
garam masala (opcional)
. 30 ml de aceto balsâmico aromatizado com trufas brancas (eu só uso o italiano da
marca Carandini importado pelo empório gourmet
Verdemar, de BH)
. cebola em flocos (opcional)
. 1 punhado de salsinha ou coentro (opcional)
. 2 grãos de
cardamomo (opcional)
Dica: aprendi no
Hermengarda, com o Nascimento, um dos cozinheiros da casa, a calcular a proporção do grão. A quantidade ideal de arroz (cru) por pessoa (normal e não esfomeada) é a medida de uma forminha de
Petit Gâteau quase cheia, como a da foto abaixo.
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| Use uma forminha de Petit Gâteau para medir a quantidade de arroz ideal para cada prato. |
É bom seguir esse conselho, principalmente porque risoto é um prato que deve ser degustado logo depois de finalizado. Até dá pra guardar para o dia seguinte ou para a próxima refeição, mas nunca fica tão bom.
O ideal é comer tudo. E na hora. Por isso saber a medida certa para cada um é importante!
PREPARANDO O RISOTO
Faça, portanto, o
mise em place do seu risoto no dia anterior (ou pela manhã), separando as medidas de arroz de acordo com o número de pessoas que serão servidas.
Coloque esse arroz de molho em água filtrada, numa vasilha hermeticamente fechada, dentro da geladeira. Deixe-o amolecer por, pelo menos, 4 horas.
Quando o arroz estiver quase no ponto de iniciarmos o cozimento, prepare os outros ingredientes. Comece pela vagem crua, lavando bem os frutos e picando-a em pedaços pequenos. Reserve-os.
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| Para ser adicionada ao risoto, vagem deve estar crua, ok? |
Eu usei vagem porque era o que tinha no dia em casa. Mas acredito que o risoto possa ficar muito bom também com abobrinha (só tendo um cuidado maior porque a consistência dela é bem mais mole que a da vagem).
Feito isso, corte os cogumelos shitake em tiras não muito finas. Reserve-os em uma outra vasilha.
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| Cogumelo shitake: adoro!!! |
Numa panela de tamanho médio coloque um fio de azeite (ou manteiga) para "puxar" o arroz. Retire o arroz negro da água e reserve esse líquido. Coloque o arroz na panela e leve-a ao fogo médio. Mexa, fazendo um movimento uniforme.
Quando o arroz tiver começando a fritar (você vai ouvir aquele barulhinho característico da fritura), acrescente meio copo de vinho tinto ao grão.
Detalhe: fiz com vinho tinto por um motivo bem simples: é tão difícil usá-lo por conta do sabor forte e da coloração que ele deixa nos alimentos. Aí pensei: o arroz já é escuro mesmo, que mal poderia fazer?
E ficou ótimo! Pelo menos nessa receita eu consegui usar o meu Merlot (êêê!!!!).
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| Aceto balsâmico e vinho tinto. Um charme a mais para o meu risoto! |
Continue misturando o arroz até reduzir em 1/3 a quantidade de vinho na panela. A ideia é deixar o álcool evaporar, ressaltando, apenas, o gostinho do Merlot.
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| Deixe o vinho reduzir. Viu que a cor continuou igual? Já estava tudo escuro mesmo. |
Acrescente dois grãozinhos de
cardamomo. Você pode até retirá-los antes de servir o risoto. Eu, particularmente, adoro! Aqui em casa coloco cardamomo em tudo: na
água saborizada, no
purê de abóbora.
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| Cardamomo: um grãozinho tão pequeno e tão potente!!! |
Mas fique à vontade para usá-lo ou não, ok? Aliás, receita em culinária salgada é mesmo só inspiração. Você pode seguir ou não o passo-a-passo.
Se tiver cozinhando com o coração (sentindo e provando cada novo ingrediente) vai ficar bom de qualquer jeito!
Então, voltemos ao que interessa. Depois do
cardamomo, acrescente a vagem crua e a água que você usou para deixar o grão de molho no dia anterior. Se você não tiver deixado o arroz negro amolecendo na água, não tem problema. Acrescente água filtrada. Vai dar certo também.
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| Não se esqueça: a vagem deve ser crua! |
Detalhe: eu disse que seriam 600 ml de água, mas essa quantidade de líquido vai depender do tipo de cozimento do grão. Se você estiver fazendo o risoto com o arroz cru, certamente, irá precisar de mais água. Se o arroz tiver ficado de molho já não será necessário tanto líquido para o cozimento.
Proceda como você faria em qualquer risoto: vá colocando a água que você reservou (usada para amolecer o grão) ou água filtrada aos poucos.
Não sei você, mas eu gosto da vagem bem "al dente", quase crua. Se você também gosta assim, outra dica importante: se o arroz não ficou de molho ou foi pré-cozido, deixe para colocar a vagem depois.
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| Eu prefiro a vagem mais al dente... |
O risco dela desmanchar é grande porque o arroz vai demorar muuuuitooooo pra cozinhar. Nesse caso, deixe para acrescentar a vagem pelo menos uns 25 minutos depois do cozimento do arroz, ok?
Depois coloque o
aceto balsâmico (que também é opcional). Mas cuidado para não exagerar na dose porque esse ingrediente tem um sabor muito marcante.
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| Aceto balsâmico da marca italiana Carandini: crema com Tartufo Bianco. Recomendo! |
Se você não tem familiaridade com esse vinagre, vá colocando o creme aos poucos...
Outros temperos também estão na receita detalhada acima e esse é o momento de usá-los! Acrescente o sal e um pouquinho de
garam masala (também opcional).
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| Sal para realçar os sabores. |
O
garam masala, para quem desconhece, é uma mistura de temperos. Portanto, na composição já contém, normalmente: pimenta do reino (branca e preta), cravinho, louro, cominho, canela, cardamomo, noz-moscada, anis e coentro.
Ou seja, uma miscelânea de sabores. Por isso acho que, só o garam masala já é o suficiente para dar um toque de sabor ao risoto. Nunca tentei misturar outras especiarias ou ervas fortes. Pode até ficar bom. Se você tentar me conte depois como ficou, tá?
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| Um pouquinho de garam masala para dar aquele gostinho especial. |
Eu prefiro não "mexer em time que está ganhando". Principalmente porque o maridão gosta desse risoto desse jeito! Adoro inventar mas agradar o Thiago me dá uma satisfação ainda maior!
Mas eu digo e repito: o risoto é seu. Faça como você achar mais interessante! Use os ingredientes de sua preferência. Tenho certeza que vai dar certo!
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| Por fim, o shitake... Coloque-o só com o risoto praticamente pronto! |
Para finalizar o prato, com o arroz praticamente cozido e a panela quase seca (quase na consistência de risoto), eu acrescento o shitake cortado em tiras finas. Você vai ver que em menos de dois minutos o cogumelo vai chegar no ponto.
Nessa hora, quando tem no armário, eu também coloco uma pitada de cebola em flocos. Mais uma vez, cuidado: essa cebola desidratada tem um gosto bem forte. Não exagere na dose!
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| Cebola em flocos e salsinha para decorar. |
Aí é só acertar o sal, empratar e servir!
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Olá! Só para agregar mais informações, existe uma fazenda no sertão da Paraíba, chamada Fazenda Tamanduá, que produz vários produtos orgânicos e biodinâmicos, incluíndo o arroz negro, o arroz vermelho e algumas variedades de queijo. Vale a pena conferir!
ResponderExcluirQue bacana, Heraclio! Já deu vontade de conhecer... Quem sabe nas próximas férias? A família do meu marido é da Paraíba, mas eu nunca fui lá... Muito obrigada pela dica! E pela sua audiência! Conte sempre com a gente! Grande abraço!
ExcluirOlá! É a primeira vez que cozinho arroz negro e pesquisando encontrei essa página! Gostei!! Tirou minhas dúvidas! Obrigada!
ResponderExcluirEi, Viviane, tudo bem? Que bom que eu pude te ajudar! Seja sempre bem-vinda ao Vida de Cozinheiro! E muito obrigada pela sua audiência! Grande abraço!
ExcluirOlá Mari ! O arroz negro não precisa ser lavado antes de cozinhar ? Parabens pelo post ! Bem agradavel de ler !
ResponderExcluirOla Mari... você sitou para não deixar de molho, porém está escrito na receita que não é pra jogar a água fora, é para reutilizA-la no cozimento.
ExcluirEi! Muito obrigada pelo seu comentário. Revisei a matéria e realmente estava um pouco confusa essa questão da água. Seguinte: se você tiver deixado o arroz negro de molho, use esse líquido para cozinhar o arroz. Se você não tiver colocado o arroz negro do dia para a noite em água para amolecer, use água filtrada para cozinhar o grão. Espero ter esclarecido a sua dúvida. Muito obrigada por sua audiência. Abraço.
ExcluirO arroz preto colocado de molho de véspera, tem q ser colocado na geladeira?
ResponderExcluirIe! Tudo bem? Muito obrigada pela sua audiência e pela pergunta. Então, aqui em casa eu não deixo nada fora da geladeira. A não ser que queira que o alimento fermente. O que não é o caso do arroz negro. Só precisamos que o grão amoleça um pouco. Por isso eu te recomendo que você guarde-o de molho em geladeira, ok? Abraço.
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